domingo, fevereiro 13, 2011

Cisne Negro - Black Swan


Acabo de voltar do cinema. Fui ver Cisne Negro.

É difícil e arriscado definir um único ponto alto para o filme, que é uma obra de arte muito bem orquestrada e complexa. Mas sem dúvida a atuação de Natalie Portman é decisiva. É até difícil descrever... Está fantástica e arrisco dizer, sem desmerecer os outros aspectos do filme, que é a maior responsável pela sua força. Mais do que captar a alma do filme, Natalie Portman "faz captar" quem assite. O filme conta com outros bons atores, mas o destaque da atriz chega a ofuscá-los (com exceção, talvez, de Barbara Hershey como coadjuvante). Além disso, as cenas e efeitos são muito bem construídos, bem como o arranjo musical - nem é preciso comentar sobre a música de Lago dos Cisnes, mas também o timing está no ponto.

Fui levado pelo filme, que me tocou forte. O jogo interno entre o cisne branco que Nina (Natalie Portman) sempre foi e o cisne negro reprimido, adormecido, que agora começa a se libertar e fugir ao controle, é realmente tocante. Acredito que todos temos esse cisne negro querendo se manifestar; eu, pelo menos, tenho. É muito difícil encontrar o equilíbrio e tentar simplesmente reprimir o cisne negro produz uma reação cada vez mais forte e piores conseqüências quando ele foge do controle e se manifesta. O drama de Cisne Negro é um drama que a maioria das pessoas enfrenta internamente, em maior ou menor grau.

Valeu muito a pena.
(Vou procurar outros filmes dirigidos por Darren Aronofsky depois para ver se estão à altura.)

domingo, janeiro 30, 2011

A (não-)morte de Rita Amaral

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
(Ausência - Carlos Drummond de Andrade)

"Impedimentos não admito para a união
de corações fiéis: amor não é amor
quando se altera ao perceber alteração
ou cede em desertar quando o outro é desertor.
Oh! Não, ele é um farol imóvel tempo em fora
que as tempestades olha e nem sequer trepida;
é a estrela para as naus, cujo valor se ignora,
mau grado seja a sua altura conhecida.
O amor não é joguete em mãos do tempo, embora
face e lábios de rosa a curva foice abata;
não muda em dias, não termina numa hora,
porém, até o final das eras se dilata.

Se isto for erro e o meu engano for provado
Jamais terei escrito e alguém terá amado."
(Amor Eterno,  Shakespeare)




Faleceu, no início da semana, Rita Amaral. Já foi dito em muitos lugares que ela era antropóloga importante, PhD; pioneira na divulgação de informações sobre a doença Osteogenesis Imperfecta e tratamento no Brasil, bem como na luta por tratamento e melhores condições de vida para os portadores, sendo co-fundadora da Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta. Seus brilhantes trabalhos acadêmicos podem todos ser vistos em seu curríulo Lattes. Mas o que me importa mais do que tudo é que ela era minha tia. Mais que isso. Era minha alma gêmea, meu alter ego.

Até o começo dessa semana não sabia que era possível sofrer tanto. Ela, mais uma vez, me ensinou algo para o resto da vida. E se sofri de tal forma, foi certeira e exatamente conseqüência de tanto já ter ela me ensinado - uma parte tão grande de mim, já não apenas do que me "preenche", mas da minha própria essência. E continua me ensinando, mesmo depois da morte de seu corpo.

Estou aprendendo coisas que achava já saber simplesmente por ter lido ou ouvido. Estou aprendendo que sentimentos só se aprendem sentindo.

Estou aprendendo que há coisas incomunicáveis. E, portanto, inconsoláveis.

Estou aprendendo que dores da alma também doem no corpo.

Estou aprendendo que o amor verdadeiro é realmente eterno. Independe de tempo ou de distância; mesmo que seja a maior das distâncias físicas, a mais intransponível.

Estou aprendendo que as pessoas podem, de fato, não morrer.

Que a ausência não é falta. Muito ao contrário.

Que saudade é já uma presença.

Que o passado tem que ser aceito, porque não há outra opção.

É, estou aprendendo que há coisas incomunicáveis...

A principal lição (e também a mais difícil) ela vem ensinando desde sempre, com suas ações, a todos que a conheceram: ter coragem. E agora é o momento da prova de aprendizado: será preciso muita coragem para seguir em frente sem ela.

A saudade que ela deixa é enorme, em todo canto; quase tão grande quanto ela, que era completa, ampla, abundante, intensa, extensa. Ela personificava ideais e valores raros; preferia morrer a abandoná-los. Mesclava inteligência sem igual e intuição; conhecimento e ânsia de saber; razão e sensibilidade; informática e arte; seriedade e bom humor; sinceridade e gentileza; amizade e honestidade. Sempre é muito difícil descrevê-la. Tem-se dito muito, esses dias, que ela era forte. De fato, ela era (é, para mim). E, principalmente, corajosa.


 OoOoOoOo




sábado, abril 24, 2010

Napëpë, Biopirataria e Plágio


Napëpë


Um documentário muito interessante, produzido por Nadja Marin, em 2004, que trata das pesquisas do antropólogo Napoleon Chagnon sobre os Yanomami, o seu papel como intermediário entre eles e cientistas que recolheram amostras de sangue dessa população para pesquisas genéticas e a luta desses índios pela devolução do sangue até hoje utilizado sem o seu consentimento (e importante para os rituais funerais da sua cultura).

Napëpë ganhou o 8th Gottingen International Ethographic Film Festival e pode ser assistido em quatro partes, no Youtube:

Napëpë - parte 1

Napëpë - parte 2


Napëpë - parte 3

Napëpë - parte 4

Alguns dos entrevistados são geneticistas que falam da importância de estudos abrangentes do DNA humano para que se possa entender o passado da humanidade. O respeito ao povo Yanomami poderia ser menosprezado em favor do respeito à "humanidade como um todo".

De que serve entender os últimos 100.000 anos da história de uma humanidade que não entende o que é respeito ao próximo? Que não entende nem o seu presente? Que pensa, enfim, que os fins justificam quaisquer meios?


Plágio

Recebi um e-mail em que a Nadja Marin pede para divulgarmos o fato de seu documentário Napëpë (produzido em 2004, como foi dito) já tratar de assuntos que o novo filme de José Padilha, Segredos da Tribo, apresentado este ano, aborda como inéditos. Infelizmente, não pude ainda assistir a Segredos da Tribo, mas quem assitiu disse que há, inclusive, cenas idênticas nos dois filmes. E, claro, José Padilha sequer cita o Napëpë.

domingo, abril 11, 2010

Leões de fogo em uma selva de pedra

Ímpeto. Saíram.

Pensaram... Mudaram a idéia. E por caminhos familiares se perderam e por caminhos estranhos se acharam. Nas barrigas de bestas (dominadas; dominantes), pelas quais se precisa passar para poder sair, com vermes dóceis-feios ou agressivos-feios, estúpidos.

Por caminhos estranhos encontraram.

Passos dados sem limites, sem preconceitos, apenas com intenção e destino. Destinos intermediários e destino final (o que é final?).

Por caminhos estranhos encontraram.

A essência do fogo alcançada. Destino final infinito.


sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Bolo de Cenoura


Uma amiga do curso de francês, Rhegina Nasz, passou pra turma toda uma receita de bolo de cenoura com calda de chocolate "que não falha nunca" (não desanda, não sola). Eu experimentei e, realmente, o bolo é uma delícia e a receita, simples.

Ela tirou a receita do livro "The baker´s dozen Cookbook" (Flo Braker, John Phillip Carrol e mais 11 caras), editora Rick Rodgers. Dá pra comprar na Amazon (www.amazon.com)

O bolo era bem maior, mas demorei pra tirar fotos e só sobrou o que vocês estão vendo ali em cima.

Depois vou experimentar uma outra receita que ela passou, essa de bolo de chocolate. Quando fizer, coloco a receita e fotos aqui também.

Bolo de Cenoura

3 cenouras pequenas
4 ovos
3/4 de xic. oleo
2 xic açucar
3 xic farinha de trigo
1 col de sopa de fermento
1 pitada de sal

Peneire a farinha, o sal e o fermento em uma tigela.

O resto vai para o liquidificador até ficar parecendo uma vitamina.

Junte o conteudo do liquidificador com a farinha aos poucos até ficar uma massa lisa (tem que ser na mão, senão desanda, mas só é preciso mexer até ficar uma massa uniforme).

Coloque tudo em uma forma de tabuleiro untada e enfarinhada - de bom tamanho (tipo 22 x 28) e alta (uns 5 cm) porque o bolo cresce bem.

O bolo deve ser assado em forno médio (cerca de 180 o.C). O tempo varia com cada forno, mas é rapidinho. Depois de 20 minutos, ela recomenda verificar a cada 5 minutos com o teste do palitinho (espetar um palito de dente no centro do bolo; se sair limpinho é porque esta pronto). Não deixe a grelha no primeiro slot (mais baixo), para não correr o risco de queimar o fundo do bolo.

Depois que esfriar, desenformar o bolo e cobrir com calda de chocolate.


Calda de chocolate (vitrificada)

4 col sopa de açucar
1 col sopa manteiga
4 col. chocolate em pó (do Padre)
2 col. sopa de leite

Levar ao fogo mexendo sempre. Depois que ferver, esperar uns 3 minutos e desligar (a calda fica brilhante quando chega no ponto certo). Despejar sobre o bolo e esperar esfriar para vitrificar (do contrário vai grudar na faca e fazer uma sujeira do cão).

Seguindo dica da própria Rhegina, eu não tirei o bolo da forma e despejei a calda com o bolo ainda quente. Depois que esfria é facil de cortar e tirar da forma os pedaços. Não fica com aqueles chocolatinhos escorrendo dos lados, mas fica mais gostoso.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

terça-feira, fevereiro 02, 2010

There is one in all of us

Fui assistir "Onde Vivem os Mosntros" quinta-feira passada. Gostei muito do filme.

De forma resumida, a história (baseada no livro homônimo de Maurice Sendak) é sobre Max, um garoto de 9 anos que brinca sozinho e tenta o tempo todo chamar a atenção de sua irmã e de sua mãe. Uma noite, irritado por não conseguir fazer sua mãe brincar no "forte" que ele montou em seu quarto e com ciúmes por vê-la com o namorado, Max faz barulho, sobe na mesa, imita um animal e pede para ser alimentado (vestido com roupa de lobo, que usa durante o filme inteiro). Sua mãe perde a paciência e, quando tenta segurá-lo, recebe uma mordida. Ela grita que Max está fora de controle e ele foge de casa correndo. Max entra num barco à vela que encontra e, depois de vários dias no mar, chega, finalmente, a uma ilha, na qual vivem as "coisas selvagens". Para evitar ser comido, Max diz que já foi rei de coisas muito maiores que os monstros e que tem muitos conhecimentos e poderes especiais; e o principal: que pode mantê-los unidos e fazê-los felizes. Os monstros o nomeam seu rei, prontamente.

(para um resumo um pouco mais completo: http://en.wikipedia.org/wiki/Where_the_Wild_Things_Are_%28film%29)

Os "monstros" (as "wild things") acabam sendo representações das atitudes que dificultam a convivência de uma família. Há o monstro que acha que sabe o que é melhor para todos e que, na busca de manter a união, acaba esquecendo de levar em conta o que os outros realmente querem; há o omisso, que só assiste a tudo que se passa (e só fala uma frase já ao final do filme); há o que se sente rejeitado (e que acaba sendo, realmente, posto de lado pelos outros); há a que só reclama; há a que desiste e quer ir embora e o que fica conformado, sem coragem de enfrentar a tirânia de um deles... There's one in all of us:



Nessa experiência, Max pode sentir como é estar do outro lado do que está acostumado: como é ter a responsabilidade de manter uma família unida e feliz, sendo apenas um menino, comum, humano, "just regular". Como sua mãe é apenas uma mulher, comum, humana, "just regular".

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Leila Míccolis



    21 ou 1º de abril?


Brasil
gentil,
varonil,
de céu primaveril,
cor de anil,
e de encantos mil?
Puro ardil...

(Leila Míccolis)

www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=6&flag=nacional

terça-feira, janeiro 05, 2010

Distância necessária entre nudges no programa de comunicação instantânea Windows Live Messenger: a velocidade necessária para uma contagem aproximada

Descobri exatamente quanto tenho que contar entre um nudge e outro, após vários testes. Preciso contar até 19 (dezenove). Aproveitei para testar se ainda seria necessário esperar mesmo enviando algum texto entre um nudge e outro. Minha hipótese era de que não seria necessário, pois o envio de um texto significaria que a pessoa que o está enviando não deseja apenas importunar o destinatário com consecutivos nudges. A hipótese não se confirmou (o que faz sentido, uma vez que eu só queria mesmo descobrir uma forma de importunar mais o destinatário, sem ter que esperar a contagem até 19 [dezenove]).

Como a minha contagem até 19 (dezenove) é muito subjetiva e, portanto, pouco precisa, contei quantos segundos (medida mais confiável) constituíam o Intervalo Mínimo entre Nudges (IMN). O resultado foi que o IMN é de 11 (onze) segundos completos. (Me questiono qual seria a razão para a escolha do número 11 [onze], em vez de 10 [dez] ou 15 [quinze]; este é um problema que deve ser melhor estudado em pesquisa futura).

Isso significa que eu conto até o número 19 (dezenove) em 12 (doze) segundos. Logo, 1,583 (um vírgula quinhentos e oitenta e três) número a cada segundo. Considerando que são pronunciadas 97 (noventa e sete) letras, do algarismo 1 (um) ao número 19 (dezenove), eu as pronuncio numa velocidade de 8,083 (oito vírgula zero oitenta e três) letras por segundo. A média de letras em um número é 7,462 (sete vírgula quatrocentos e sessenta e dois, valor aproximado). Portanto, preciso diminuir minha velocidade em 0,621 (zero vírgula seiscentos e vinte e um) letra por segundo, para que eu fale aproximadamente 7,462 (sete vírgula quatrocentos e sessenta e dois) letras por segundo. Só assim vou conseguir contar até 12 (doze) em 12 (doze) segundos, aproximadamente um algarismo ou número por segundo correspondente.

Vou precisar comprar um cronômetro mais preciso que os cronômetros comuns para testar. Ou eu posso simplesmente usar aquela técnica pouco científica e senso-comum de falar "mil" antes dos números... Mas acho que não vai ser tão eficiente.

Vou procurar um cronometro.

sábado, dezembro 26, 2009

Morte

Hoje recebi a notícia do falecimento de uma amiga de infância, Verônica Kubo. Ela faleceu aos 18 anos, ontem (25/12/09, Natal), em um acidente de carro na Rod. Castelo Branco.
Fiquei chocado e triste. Pela injustiça da morte de alguém tão jovem, que, assim como eu, devia ter planos e mais planos para o futuro. Por pensar na família que ela deixou para trás. Por saber que aquela pessoa, tão de repente e simplesmente, não existe mais aqui.
Nunca esperamos a morte de ninguém, muito menos de pessoas assim jovens. Pensamos no quanto ela ainda teria para viver, nos planos que devia ter, em como seria se ela vivesse o que devia viver. Por isso parece tão injusto. Mas, ao mesmo tempo, a morte e tão imprevisível e inevitável que parece acima de julgamentos sobre sua justiça. E, na verdade, aquelas possibilidades não existem. O que acontece só acontece de um jeito. O "como seria" só pode existir na nossa mente. "Como foi" é a verdade. Ela viveu o que tinha para viver.
Mesmo assim, atormenta a evidência de que "a vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição". Que assim como os dela, todos os planos podem ser interrompidos a qualquer momento, sem possibilidade de contestação, pela chegada ao único destino da vida. É como se a morte fosse o único e verdadeiro "plano", que é o plano da própria vida.
Mas, na verdade, acredito que ela ainda existe, de alguma outra forma, em algum outro lugar. Existe algo mais em nós, além da vida. Não somos a vida. A vida está em nós. A vida estava nela. Agora ela continua, sem essa vida. E esse mistério é inquietante, graças à quase impossibilidade de nos desapegarmos da vida, não importa o que aconteça.

terça-feira, novembro 24, 2009

Campanha contra Dilma

Recebi um e-mail pedindo que não votemos em Dilma Roussef. O argumento usado era o envolvimento dela no lançamento, em 1968, de um carro-bomba contra um quartel do exército em São Paulo; o atentado causou a morte de Mário Kozel Filho.

Em primeiro lugar, parece que não é comprovado o envolvimento de Dilma. Isso não consta nem na tal ficha do DOPS - conhecido como "currículo de Dilma".

Em segundo lugar, mesmo que seja verdade, usar isso como campanha contra a Dilma é um golpe político baixo. O "grupo terrorista" que atacou o quartel não queria assassinar "o" Mário Kosel Filho; eles queriam atingir a organização que estava matando centenas de outras pessoas: o exército. Num período como aquele, as ideologias ficam mesmo exarcebadas, mas dos dois lados. A violência foi usada por ambas as partes, mas ainda mais frequente, forte e hediondamente pelo Exéricito, que matou, traumatizou e mutilou centenas de outros jovens como Kozel.

NÃO QUERO a Dilma para próxima presidente (Deus nos livre!), mas me revolta ver que chegamos ao absurdo de haver pessoas querendo até exaltar o governo da ditadura para poder rebaixar a Dilma que lutava contra essa ditadura. Ver como a política, aqui, é cada vez menos séria e mais inconseqüente.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Os Últimos Dias - Carlos Drummond de Andrade

Que a terra há de comer.
Mas não coma já

Que ainda se mova,
para o ofício e a posse.

E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.

Sinta frio, calor, cansaço;
pare um momento; continue.

Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.

O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.

Prazer de balanço, prazer de vôo.

Prazer de ouvir música;
sobre papel deixar que a mão deslize.

Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.

Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.

O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instante,
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sobra maior, de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele, outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.

O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.

Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.

E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.

O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.

A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.

Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.

E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.

E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Explicações Místicas - Mercúrio Retrógrado

Coincidências demais!
Vários amigos tiveram o celular roubado ou o perderam nos últimos dias. Eu estava usando meu celular mais do que nunca tinha usado antes. Comentei, com três pessoas, em uma semana, o quanto eu gostava daquele celular e não queria perdê-lo.
Logo depois, o perdi num táxi. Consegui recuperar no mesmo dia, porque percebi 5 minutos depois que desci do táxi. Quatro dias depois, ele foi roubado. Três dias depois, comecei a usar o antigo do meu pai e... ele começou a dar defeito.
Depois de ser roubado, achei que podia ser um misto de olho gordo com lei da atração. Afinal, eu tinha comentado com pessoas que perderam seus celulares o quanto eu gostava do meu e, ao falar isso, fiquei com medo de perder o meu também (energias negativas) e posso ter atraído mal olhado de quem já tinha perdido. A coisa mais lógica e racional do mundo, quando se pensa misticamente.
Além de tudo, descobri que Mercúrio estava retrógrado nesse período! Todas as explicações místicas fazem sentido!
Depois vão dizer que é bobagem? Humpf...

(Tudo isso era alternado com pensamentos sobre a grande probabilidade do mesmo acontecer com qualquer pessoa que: 1 - estivesse com bolso faca no táxi e mexesse nele; 2 - andando em São Paulo a pé às 23:00h; 3 - usando um celular da Sony Ericsson - 90% de chances de ter defeitos... Mas essas coisas não fazem tanto sentido!)

quarta-feira, agosto 05, 2009

Invictus - William Ernest Henley

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o capitão da minha alma.

quinta-feira, junho 18, 2009

Conflitos na USP - Samuel Godoy

Texto interessante, racional e coerente, escrito por Samuel Ralize de Godoy, no blog Cidadania Inclusiva, sobre os conflitos na USP:

Conflitos na USP - Blog Cidadania Inclusiva

sexta-feira, junho 12, 2009

O Confronto com a PM no Campus Butantã

O que aconteceu foi horrível e, como a maioria das coisas horríveis, extremamente desnecessário!

Nada justifica a quantidade de violência usada pela polícia. E, com o que aconteceu, as pessoas que defendiam, ou que, pelo menos, não tinham nada contra a presença da PM no campus, não podem mais manter essa posição.

Não podemos, no entanto, continuar com essa visão de que os estudantes são santos e a polícia é o mal encarnado. Ninguém estava certo! Houve exageros dos dois lados. O erro da polícia é muito mais grave, com certeza, mas apenas porque esta tem armas mais poderosas nas mãos (que são grandes estímulos para o exercício do poder, principalmente quando se está em um confronto, com raiva), que também teriam sido usadas pelos estudantes se fosse possível.

É fato que os estudantes provocaram. Toda a hostilidade contra a PM já existia mesmo antes dela fazer qualquer agressão a qualquer pessoa. Como já disse, nada justifica o exagero da polícia. Mas, se tentamos nos imaginar no lugar da PM, é possível pelo menos entender o que desencadeou essa reação: eles estavam lá por obrigação, cumprindo ordens, foram chamados; não estavam lá por livre e espontânea vontade, porque queriam machucar alguns estudantes. E, AINDA sem ter feito nada, eram tratados como monstros, como tiranos, assassinos, que não podiam entrar na universidade. Além disso, eram ofendidos e provocados pelos estudantes, xingados até de "cornos", sem poder reagir (justamente por causa de sua posição de policiais).

Tudo isso, com certeza, gerou muita raiva nos policiais, que só precisavam de algum motivo que permitisse colocá-la para fora. Não podemos esquecer que eles são HUMANOS. E esse motivo foi dado quando os estudantes empurraram alguns policiais.

Vou ser bem chato e repetir que não estou justificando ou defendendo os policiais! Eles deveriam ser mais bem treinados e saber lidar muito melhor com a situação, saber se controlar. Mas, tampouco, posso defender incondicionalmente os estudantes, como parece ser a tendência geral.

Agora, os estudantes têm reais motivos para não querer a PM no campus. Mas esses reais motivos foram procurados pelo próprio movimento estudantil, que já era contra a PM antes de acontecer qualquer confronto, por motivos simbólicos/ideológicos.

No fundo, o confronto é útil para o movimento estudantil, pois agora ele pode conseguir unir todos os estudantes contra a PM. Ninguém mais pode tentar defender que não se peça a retirada da PM do campus. O custo disso, no entanto, não valeu a pena...

Dois relatos sobre o confronto com a PM na USP

Seguem dois relatos que recebi. O primeiro é de um estudante; o segundo, de um professor.

"Versão de quem esteve presente do início ao fim, mais como espectador do que qualquer outra coisa...:

Lá pras 15h começou o ato no p1, os estudantes, funcionários e professores que estavam no ato, mais ou menos umas 700 pessoas, ficaram cantando, gritando palavras de ordem e confrontando os policiais da força tática (armados com o aparato do choque), jogando flores e mostrando livros. Isso durou umas duas horas, quando surgiram duas propostas: Voltar para a Reitoria e continuar o Ato lá, ou fazer uma "mini-passeata" até a Vital Brasil para depois ir para a Reitoria. Como a votação não deu contraste, houve um racha: um pouco mais da metade foi para a Reitoria (PSTU, Sintusp, independentes), outros ficaram na rua (MNN, independentes) e outros ainda ficaram em dúvida sobre o que fazer (LER-QI, Psol, outros independentes....).

Depois de uns dez minutos de discussão, decidiu-se que este segundo grupo iria voltar direto para a Reitoria, e o transito foi aberto, e os policiais foram se retirando (ou para a Reitoria ou para a Dp). No meio do caminho, os estudantes que voltavam encontraram quatro policiais da PM e começaram a gritar "Fora PM", cercando-os contra um tapume, e depois "empurrando-os" para fora. Esses policiais já estavam saíndo e as pessoas já estavam aplaudindo, quado chegaram umas 4 motos, mais uns 5 carros da PM, mais o Choque em formação e atiraram uma bomba de Efeito Moral. Detalhe: A rua cheia de carros de gente que não tinha nada a ver com isso.

A partir daí foi uma loucura: Muitos estudantes correndo, outros correndo e xingando, outros chamando uma resistência, alguns atirando pedras, alguns tropeçando, alguns sendo atingidos pelos estilhaços das bombas, outros sendo pegos e presos. A gente corria, e parava para ver se a tropa de choque também parava, mas eles continuavam vindo para cima, atirando quatro, cinco ou mais bombas de efeito moral. eles atiravam para cima, então você estava correndo e a bomba passava por cima de você, estourando lá na frente ou do seu lado. Também estavam distribuindo tiros de borracha e umas bombas de gás lacrimogênio mais leves.

Quado chegamos na Reitoria, encotramos o resto do pessoal do ato, e achamos que os policiais iam maneirar.. Mas cotinuaram jogando bombas... Saímos correndo e pensamos que eles iam ficar pela reitoria, mas eles continuaram seguindo. Fomos então para o prédio da História e da Geografia, e ficamos sitiados por lá. O Choque ficou do outro lado da avenida, junto com os carros de polícia que chegavam... umas dez viaturas.

Ficamos na borda do morrinho, alguns estudantes fizeram uma barreira na rua para parar o transito, um professor da pedagogia foi lá para conversar com o tenente coronel e levou spray de pimenta. Depois, alguns professores da Adusp, mais jornalistas e alguns estudantes foram lá também para conversar, mas caiu uma bomba de gás lacrimogênio bem no meio deles(daquelas beeeem fortes, que começa a arder tudo e você não consegue respirar), e os policiais começaram a atirar uma saraivada de bombas de gás no prédio da História. Ah, sim, a rua estava cheia de carros, e o prédio lotado de gente que não tinha nada a ver com o rolo.

A essa altura do campeonato, metade dos dirigentes do sintusp já tinham sido presos, alguns incautos que ficaram pra trás na correria também, e uns 4 ou 5 estudantes estavam no HU, por conta das balas de borracha e estilhaços de bombas.

Ficamos mais umas duas horas "sitiados" no prédio da história, houve assembléia de professores, e depois que o choque maneirou (foi para a reitoria) houve assembléia de estudantes na rua mesmo. Os professores tiraram uma comissão de negociação, e eu fui embora no meio da assembléia de estudantes, porque já tinha dado para mim.

Os estudantes vão pernoitar na usp, que ainda tá cheia de PM.

é isso

Abraços

Chiquetto"



Professor Rogério Monteiro de Siqueira:

"Prezados colegas, amigos e alunos,

estou estarrecido. Nunca pensei que ia viver isso na na nossa universidade. Uma indignação enorme me fez deixar a assembléia de professores no prédio da História e descer correndo para a reitoria. A informação que tinha chegado à nós era de que o batalhão de choque estava soltando bombas sobre os estudantes e funcionários na reitoria.
De alguma maneira, como professor, imaginei ter - junto com outros colegas - a força necessária para arrefecer o conflito. Era preciso evitar o pior, evitar que algum estudante se machucasse. Tínhamos visto nos jornais no dia anterior, policiais com metralhadoras.

Chegando mais perto, uma fumaça enorme, estudantes correndo, e um clima bastante ameaçador. Um aluno passou por nós dizendo que não devíamos ficar ali. Retruquei: Não. Vamos ficar aqui.

Descemos mais um pouco e uma tropa de choque, cacetetes, bombas, spray de pimenta, marchou em nossa direção.
Subimos a calçada, que passem ! Tratava de saber o que de fato ocorria, procurar responsáveis, tentar negociar, verificar se alguém estava ferido. Mais perto, um policial do batalhão - uns quinze - mandou a gente se afastar. Dissemos que éramos professores. Se afastem! gritaram. Somos professores! Eles jogaram spray de pimenta na nossa direção. O Thomás que estava um pouco mais a frente, de carteirinha na mão, recebeu o spray nos olhos. Saímos correndo. Uma bomba de gás caiu a um metro dos meus pés. Parei um pouco e olhei na direção dos policiais com toda a raiva que já pude sentir.

Um policial com uma bomba na mão olhou pra mim. Senti que iríamos receber mais um presente da corporação. Estupei o peito e falei gritando: Você vai jogar na gente? Somos professores! Você vai jogar?
O absurdo era tanto que fui mais absurdo ainda. Como eu podia fazer um negócio desses? Mas fiz.

Não dava mais para ficar lá. Chamei a Vivian Urquidi e o Jorge Machado para subir novamente até à História. O Thomás já tinha saído porque mal conseguia abrir os olhos. Meus olhos também ardiam muito.

Eu só gostaria de saber: o que um professor de carteirinha na mão, um outro com mochila nas costas, pasta em uma mão e blusa na outra, outra professora com uma flor na mão representam de perigo ao patrimônio da USP? Gostaria de saber até onde a tese de preservação do patrimônio se sustenta? Que espécie de comunicação e negociação é essa, que coloca policiais cegos a serviço da Reitoria? Para onde fomos? Para onde foi a experiência de 75 anos em produzir saber?

Saudações acadêmicas.

Rogério Monteiro de Siqueira

Professor Doutor EACH-USP
História e Geometria
http://www.each.usp.br/rogerms
Escola de Artes, Ciências e Humanidades - Universidade de São Paulo
Arlindo Bettio, 1000, Ermelino Matarazzo, 03828-000, São Paulo."

sexta-feira, junho 05, 2009

Greve na USP - Movimento Estudantil

O estopim foi a entrada da Polícia Militar no campus, a pedido da reitora, para fazer cumprir os mandados de reintegração de posse.

Não entendo porque a polícia pode estar em todo o resto do estado e não pode estar na USP. O que a polícia não pode fazer - seja na USP, seja em qualquer outro lugar - é abusar do seu poder. Não houve confronto. Não é a simples "presença" da polícia que constitui um problema. A polícia está em toda manifestação fora da USP, em toda concentração de massa (até em festas públicas, shows). A USP não é um santuário.

Além do mais, da última vez que não chamaram a polícia (na invasão de 2007), o prédio foi destruído, deixando um prejuízo enorme para ser coberto pelo dinheiro público. O movimento diz que chamar a polícia é não querer dialogar, mas destruir a reitoria também não é uma boa forma de buscar diálogo...

Enfim, a entrada da PM só serviu de ajuda para que os grupos que defendem a greve ganhassem força. Essa greve já estava pra sair de qualquer jeito.

O curioso é que esses grupos, que vivem fazendo discurso contra a repressão, reprimem os estudantes que não querem aderir à greve. Seja fazendo pressão psicológica (o que eles dizem ter sido o que a polícia fez), seja com barreiras físicas mesmo.

Outra curiosidade é como se espalha que a greve foi deliberada de uma forma democrática, com uma gigantesca assembléia de 1,500 alunos. O que são 1,500 alunos dentre os 55,000 (só de graduação) da USP inteira?

A política estudantil é feita de forma que qualquer pessoa que tenha outras coisas para fazer - às quais dá prioridade - não possa participar. O que é terrível, uma vez que é feita em um lugar como a USP (e para seus estudantes), em que, mesmo sem participação na política, é difícil se manter em dia com o curso. Não dá para ficar, pelo menos 2 vezes por semana, horas em reuniões que podem acabar sem nenhuma decisão (e com uma grande briga non-sense).

Isso afasta do movimento estudantil a maior parte das pessoas e ele fica livre para deliberar coisas que teriam grandes chances de serem barradas se todos os estudantes participassem. As pessoas que são contra a greve não têm ânimo para participar do Movimento Estudantil; as que são a favor quase que vivem para participar dele. É a "democracia dos politicamente ativos", que já ouvi certos grupos da FFLCH defendendo. (Os delegados de curso foram eleitos proporcionalmente às ASSEMBLÉIAS de cursos, não aos cursos em si) Quem não doa horas do seu dia para discussões do ME não tem direito a ser representado. Eles devem ter faltado nas aulas sobre Democracia do curso de Política I.

As votações deveriam acontecer por meio de urnas!

quarta-feira, maio 06, 2009

Planejando para a próxima semana de novo

Depois de fazer planos para a semana santa e para o feriado de Tiradentes (todos frustados, por motivo de doença ou de pura preguiça, de forças maiores), estou de novo fazendo planos para semana que vem. Vai acontecer a SECS (Semana de Ciências Sociais) e não terei aulas.
Dessa vez, porém, vou escrever os planos (e tomar vitamina C e cuidado com as correntes de ar). Vou mudar, também, a natureza deles. Dessa vez, não vou planejar estudar. Tá, vou planejar estudar, sim, mas não só isso. Antes, quero pôr em ordem algumas coisas que já estão procrastinada há tempo demais:
- Dar um rumo para todas as coisas que estão "por cima" no meu quarto (desde a outra casa);
- Dar um rumo para as coisas que estão no canto do corredor (desde a mudança);
- Pôr fotos nos porta-retratos vazios;
- Comprar controles novos e jogar fora os quebrados para poder, finalmente, usar de novo meu aparelho de DVD.

Isso é o mínimo. Não vou planejar mais, para não maximizar o risco da frustração.

Lado Místico
O tarot diz que é possível, se eu for flexível e agir com estratégia, sabendo tirar proveito das situações. (Ainda bem, porque em uma semana inteira tem que dar!) Se Deus quiser, assim será. :)

(Agora vou estudar Política!)

segunda-feira, abril 20, 2009

Dois beija-flores

Dois beija-flores
Com a madrugada
Vieram!
Tentaram com ela trazer alguma coisa
Insistiram!
Bateram!
E eu não deixei entrar...
Um esperou mais, bateu mais
Mesmo assim, pasmo, só observei.
E ele se foi também.
Fiquei esperando que voltassem
Ainda sem saber se abriria a janela
Mas os dois se foram e eu agora queria ir atrás deles.
Talvez um dia voltem.
Talvez um dia venham outros.
Talvez eu só fique esperando.
Ouvi as batidas antes e ignorei
Não olhei para a janela!
Perdi tempo...
Agora guardei uma foto mal-tirada
do que nunca pensei que aconteceria na vida real
(a vida real sendo aquela que é nossa).
Mas eles me deixaram alguma outra coisa
mesmo sem entrar...