Sexta-feira passada, aconteceria um churrasco. Não aconteceu. Ficamos só algumas pessoas conversando.
Esta quinta-feira (ontem), aconteceria uma festa para os bixos. Foi a mesma coisa que sexta passada, com um pouco mais de gente.
Dizem que é por causa do Carnaval...
Pode ser! Vamos ver no resto do ano.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Dos Filhos - Gibran Khalil Gibran
Dos Filhos
E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Hino da USP
Li agora, no Guia. Foi feito no aniversário de 75 anos da USP, em 25 de janeiro de 2009.
Hino da Universidade de São Paulo
Letra: Paulo Bomfim
Música: Júlio Medaglia
Neste chão de São Paulo o universo
Do Saber faz seu campus de glória,
E da USP nascem caminhos
Moldadores dos rumos da História.
Das sementes lançadas por mãos,
Sábias mãos professando alvoradas,
Vão surgindo colheitas de auroras
E nascendo esperanças plantadas.
Deste chão das bandeiras de outrora
Partem hoje outros passos eternos,
E a cultura, bandeira de agora,
Vai plasmando horizontes modernos.
Dom de amor Faculdades formando
Vocações, nosso lar, nossa luz,
Mocidade que o tempo renova
Nesses templos que o sonho conduz.
Das sementes lançadas nos rumos
Surge a USP e seu dom de ensinar,
Gerações se sucedem no ideal,
Glória à USP e ao condão de semear.
Trote
Parece que o trote fez a minha ficha cair e eu perceber que eu entrei MESMO na USP e ficar mais animado do que nunca. Mesmo careca.
Quando ia entrar na sala da matrícula, um veterano já me perguntou se eu era bixo, tão limpo como estava, e pintou um C e um S em cada bochecha.
Terminada a matrícula, lá fora, já encontrei minha mãe pintada (não, ela não escapou! hehe) e fui cercado por quatro meninas que pintaram, pintaram, pintaram, cortaram o cabelo, me levaram para uma piscina de bolinha de isopor, jogaram espuma e me fizeram sambar. Foi uma delícia!
Fiquei um pouco pior que isso (na foto já tinha voado um monte de bolinha no caminho):

Para elas poderem saber quem eu era, depois de um banho, me deram o apelido de "bixo chiquinha", muito simpático, não sei tirado de onde.
Espero encontrá-las durante o ano de novo.
Mas que fique bem claro que eu aceitei o trote, porque faz parte. O pessoal é muito legal e eu poderia ter recusado e perdido a diversão. Como minha tia explicou, com palavras melhores, depois, é um "ritual de passagem". E, realmente, me senti nascendo para uma nova vida. Vale a pena!
E até que não fiquei muito mal careca. Tem gente que acha que ficou melhor, até. Sinceramente, é tão confortável (eu nunca imaginei que fosse tanto!) que estou ate pensando em manter assim...
Agora, esotu lendo o Guia e todos os papéis que recebi, com a história e infra-estrutura da USP, dicas e programações para a bixarada. Semana que vem, já começam as aulas magna e inaugurais (e festas e mais festas de boas-vindas). Mal posso esperar!
Quando ia entrar na sala da matrícula, um veterano já me perguntou se eu era bixo, tão limpo como estava, e pintou um C e um S em cada bochecha.
Terminada a matrícula, lá fora, já encontrei minha mãe pintada (não, ela não escapou! hehe) e fui cercado por quatro meninas que pintaram, pintaram, pintaram, cortaram o cabelo, me levaram para uma piscina de bolinha de isopor, jogaram espuma e me fizeram sambar. Foi uma delícia!
Fiquei um pouco pior que isso (na foto já tinha voado um monte de bolinha no caminho):
Para elas poderem saber quem eu era, depois de um banho, me deram o apelido de "bixo chiquinha", muito simpático, não sei tirado de onde.
Espero encontrá-las durante o ano de novo.
Mas que fique bem claro que eu aceitei o trote, porque faz parte. O pessoal é muito legal e eu poderia ter recusado e perdido a diversão. Como minha tia explicou, com palavras melhores, depois, é um "ritual de passagem". E, realmente, me senti nascendo para uma nova vida. Vale a pena!
E até que não fiquei muito mal careca. Tem gente que acha que ficou melhor, até. Sinceramente, é tão confortável (eu nunca imaginei que fosse tanto!) que estou ate pensando em manter assim...
Agora, esotu lendo o Guia e todos os papéis que recebi, com a história e infra-estrutura da USP, dicas e programações para a bixarada. Semana que vem, já começam as aulas magna e inaugurais (e festas e mais festas de boas-vindas). Mal posso esperar!
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Jantar com o Avô
Ontem, ainda quando eu estava no restaurante, meu avô me ligou:
Para que perguntou, então?
Esse lado da família é assim: marca um jantar e sai na hora do lanche da tarde... Meu avô é extremamente ansioso. Agora é meio-dia e, apesar de ele ter marcado às 16:30, lá pela 15:00 ele deve chegar aqui. E não é para uma audiência jurídica ou para fazer check-in no aeroporto; é para um jantar com a família!
-- Que horas você combinou com seu pai de ir jantar amanhã?
-- Às 19:00, vô.
-- Não, eu vou te pegar às 16:30.
Para que perguntou, então?
Esse lado da família é assim: marca um jantar e sai na hora do lanche da tarde... Meu avô é extremamente ansioso. Agora é meio-dia e, apesar de ele ter marcado às 16:30, lá pela 15:00 ele deve chegar aqui. E não é para uma audiência jurídica ou para fazer check-in no aeroporto; é para um jantar com a família!
Pizza Hut
Ontem, antes de saber o resultado, com aquele mix de ansiedade e espinhas, não estava afim de ir à Pizza Hut, comemorar o aniversário de um dos meus melhores amigos (se não o melhor).
Mas, conversando pelo msn, de madrugada, acabei sendo animado por alguns amigos e prometendo que iria (em troca de uma careta da Renata que quase me fez cair da cadeira de tanto rir). Depois do resultado, claro, me animei ainda mais.
Graças a Deus. Porque foi ótimo. A conversa foi excelente, as risadas foram ótimas, a comida foi muito boa. Matei um pouco da saudade das pessoas de quem sempre sinto saudade.
Também foi bom ver a alegria delas por mim. Eles querem ainda marcar alguma comemoração.
A única coisa ruim foi ter que tirar o dinheiro da poupança (o que, para o aniversariante, piadista de trocadilhos, foi muito engraçado), mas eu o reporei logo. E valeu.
Espero que eu ainda possa compartilhar muitos aniversários desse meu grande amigo, que faz muita falta para mim.
Mas, conversando pelo msn, de madrugada, acabei sendo animado por alguns amigos e prometendo que iria (em troca de uma careta da Renata que quase me fez cair da cadeira de tanto rir). Depois do resultado, claro, me animei ainda mais.
Graças a Deus. Porque foi ótimo. A conversa foi excelente, as risadas foram ótimas, a comida foi muito boa. Matei um pouco da saudade das pessoas de quem sempre sinto saudade.
Também foi bom ver a alegria delas por mim. Eles querem ainda marcar alguma comemoração.
A única coisa ruim foi ter que tirar o dinheiro da poupança (o que, para o aniversariante, piadista de trocadilhos, foi muito engraçado), mas eu o reporei logo. E valeu.
Espero que eu ainda possa compartilhar muitos aniversários desse meu grande amigo, que faz muita falta para mim.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
FUVEST
Passei! :)
Quase não dormi de ansiedade para saber o resultado. Queria sabê-lo logo, fosse ele qual fosse, para ter alguma idéia do que seria da minha vida este ano. Felizmente, a ansiedade acabou.
Toda vez que penso no futuro, ele me aterroriza. Agora mesmo, ia escrever que esperava que este fosse o melhor caminho para mim (entrar na faculdade este ano). Mas, na verdade, não existe o melhor caminho. Só existe o caminho. Se foi assim, é porque assim era para ser.
Será o que tiver de ser. Um dia depois do outro, sem nada de aterrorizante.
A dúvida também serve para me fazer pensar sobre a vida e sobre as minhas escolhas.
E acredito que, agora, vou poder ter bases maiores para decidir o que quero, conhecendo mais e melhor as coisas. Acho que não sou indeciso; só não posso escolher entre as coisas que não conheço direito. (Ok, sou um pouco indeciso, sim... Nem sei decidir se o sou ou não.)
Mas, na hora certa, eu vou ter a certeza, sem nem perceber como ou quando passei a tê-la, como acontece com tantas outras coisas.
Quase não dormi de ansiedade para saber o resultado. Queria sabê-lo logo, fosse ele qual fosse, para ter alguma idéia do que seria da minha vida este ano. Felizmente, a ansiedade acabou.
Toda vez que penso no futuro, ele me aterroriza. Agora mesmo, ia escrever que esperava que este fosse o melhor caminho para mim (entrar na faculdade este ano). Mas, na verdade, não existe o melhor caminho. Só existe o caminho. Se foi assim, é porque assim era para ser.
Será o que tiver de ser. Um dia depois do outro, sem nada de aterrorizante.
A dúvida também serve para me fazer pensar sobre a vida e sobre as minhas escolhas.
E acredito que, agora, vou poder ter bases maiores para decidir o que quero, conhecendo mais e melhor as coisas. Acho que não sou indeciso; só não posso escolher entre as coisas que não conheço direito. (Ok, sou um pouco indeciso, sim... Nem sei decidir se o sou ou não.)
Mas, na hora certa, eu vou ter a certeza, sem nem perceber como ou quando passei a tê-la, como acontece com tantas outras coisas.
domingo, janeiro 25, 2009
Non Ducor, Duco
Parabéns, São Paulo!

SÃO PAULO
(Washington Olivetto)
Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York. Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.
São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.
São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país.
Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.
São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido "o mais querido". Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.
São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
São Paulo já foi chamada de "o túmulo do samba" por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Glória Kalil.
Em São Paulo se faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.
Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.
São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.
São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.
São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa. Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.
Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem. Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.
São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.
E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.
São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas.
Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais.
Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada. Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!
(Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário)

SÃO PAULO
(Washington Olivetto)
Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York. Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.
São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.
São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país.
Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.
São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido "o mais querido". Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.
São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
São Paulo já foi chamada de "o túmulo do samba" por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Glória Kalil.
Em São Paulo se faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.
Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.
São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.
São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.
São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa. Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.
Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem. Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.
São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.
E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.
São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas.
Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais.
Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada. Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!
(Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário)
quarta-feira, junho 04, 2008
Quem sou eu?
Lendo O Mundo de Sofia (Hume, Berkeley...), de Jostein Gaarder, acabei me "inspirando" para mudar o "quem sou" do Orkut e fiz o texto que copio mais abaixo. Lendo Alberto Caeiro, nesse fim de semana, vi que, como no poema do post anterior, ele pensava de forma um pouco parecida com a minha (apesar de bases opostas: a dele, não "pensar", apenas "sentir" e a minha, "pensar demais") . Claro: ele tinha mais certeza do que dizia e, principalmente, talento. :)
Só queria a sua segurança... (Mas, só pelo fato de querê-la, já me afasto muito de toda a filosofia de Caeiro, que não era para ser filosofia. Que loucura que é Caeiro...!)
"Quem sou eu?
Será que eu ainda vou ser o mesmo depois de escrever isso? O que diz quem se é? Sou o que eu faço, o que eu penso, o que eu digo, o que já vivi, o que "quero"? Tudo isso? Nada disso? Alguma coisa inexplicável, que simplesmente "é"?
Existe alguma coisa na minha cabeça, que acho que sou eu, essa "voz", que não é bem voz, que parece estar sempre lá, mesmo quando o resto muda. Acho que isso deve ser quem sou. Mas não sei descrever essa alguma coisa. Só sei que ela pensa muito. "Eu" penso muito. Talvez demais. Às vezes, cansa até. Por isso, mudo muito também (inclusive o pensamento). Isso complica tudo. Por exemplo: daqui a algum tempo, vou apagar tudo isso e simplesmente por algo do tipo "sou isso e aquilo". Depois, vou por que "não sou ninguém". Depois posso por um texto de que gosto. Depois, posso simplesmente não por nada. Já fiz tudo isso.
O melhor é o seguinte: se você me conhece, vai ter alguma "imagem" de mim. Essa imagem é quem sou pra vc. E nada que eu escreva vai te fazer mudar essa imagem. Só, talvez, o tempo."
Só queria a sua segurança... (Mas, só pelo fato de querê-la, já me afasto muito de toda a filosofia de Caeiro, que não era para ser filosofia. Que loucura que é Caeiro...!)
"Quem sou eu?
Será que eu ainda vou ser o mesmo depois de escrever isso? O que diz quem se é? Sou o que eu faço, o que eu penso, o que eu digo, o que já vivi, o que "quero"? Tudo isso? Nada disso? Alguma coisa inexplicável, que simplesmente "é"?
Existe alguma coisa na minha cabeça, que acho que sou eu, essa "voz", que não é bem voz, que parece estar sempre lá, mesmo quando o resto muda. Acho que isso deve ser quem sou. Mas não sei descrever essa alguma coisa. Só sei que ela pensa muito. "Eu" penso muito. Talvez demais. Às vezes, cansa até. Por isso, mudo muito também (inclusive o pensamento). Isso complica tudo. Por exemplo: daqui a algum tempo, vou apagar tudo isso e simplesmente por algo do tipo "sou isso e aquilo". Depois, vou por que "não sou ninguém". Depois posso por um texto de que gosto. Depois, posso simplesmente não por nada. Já fiz tudo isso.
O melhor é o seguinte: se você me conhece, vai ter alguma "imagem" de mim. Essa imagem é quem sou pra vc. E nada que eu escreva vai te fazer mudar essa imagem. Só, talvez, o tempo."
Alberto Caeiro
XXIX
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
Do que quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo de sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...
(em O Guardador de Rebanhos)
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
Do que quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo de sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...
(em O Guardador de Rebanhos)
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