terça-feira, fevereiro 02, 2010

There is one in all of us

Fui assistir "Onde Vivem os Mosntros" quinta-feira passada. Gostei muito do filme.

De forma resumida, a história (baseada no livro homônimo de Maurice Sendak) é sobre Max, um garoto de 9 anos que brinca sozinho e tenta o tempo todo chamar a atenção de sua irmã e de sua mãe. Uma noite, irritado por não conseguir fazer sua mãe brincar no "forte" que ele montou em seu quarto e com ciúmes por vê-la com o namorado, Max faz barulho, sobe na mesa, imita um animal e pede para ser alimentado (vestido com roupa de lobo, que usa durante o filme inteiro). Sua mãe perde a paciência e, quando tenta segurá-lo, recebe uma mordida. Ela grita que Max está fora de controle e ele foge de casa correndo. Max entra num barco à vela que encontra e, depois de vários dias no mar, chega, finalmente, a uma ilha, na qual vivem as "coisas selvagens". Para evitar ser comido, Max diz que já foi rei de coisas muito maiores que os monstros e que tem muitos conhecimentos e poderes especiais; e o principal: que pode mantê-los unidos e fazê-los felizes. Os monstros o nomeam seu rei, prontamente.

(para um resumo um pouco mais completo: http://en.wikipedia.org/wiki/Where_the_Wild_Things_Are_%28film%29)

Os "monstros" (as "wild things") acabam sendo representações das atitudes que dificultam a convivência de uma família. Há o monstro que acha que sabe o que é melhor para todos e que, na busca de manter a união, acaba esquecendo de levar em conta o que os outros realmente querem; há o omisso, que só assiste a tudo que se passa (e só fala uma frase já ao final do filme); há o que se sente rejeitado (e que acaba sendo, realmente, posto de lado pelos outros); há a que só reclama; há a que desiste e quer ir embora e o que fica conformado, sem coragem de enfrentar a tirânia de um deles... There's one in all of us:



Nessa experiência, Max pode sentir como é estar do outro lado do que está acostumado: como é ter a responsabilidade de manter uma família unida e feliz, sendo apenas um menino, comum, humano, "just regular". Como sua mãe é apenas uma mulher, comum, humana, "just regular".

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Leila Míccolis



    21 ou 1º de abril?


Brasil
gentil,
varonil,
de céu primaveril,
cor de anil,
e de encantos mil?
Puro ardil...

(Leila Míccolis)

www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=6&flag=nacional

terça-feira, janeiro 05, 2010

Distância necessária entre nudges no programa de comunicação instantânea Windows Live Messenger: a velocidade necessária para uma contagem aproximada

Descobri exatamente quanto tenho que contar entre um nudge e outro, após vários testes. Preciso contar até 19 (dezenove). Aproveitei para testar se ainda seria necessário esperar mesmo enviando algum texto entre um nudge e outro. Minha hipótese era de que não seria necessário, pois o envio de um texto significaria que a pessoa que o está enviando não deseja apenas importunar o destinatário com consecutivos nudges. A hipótese não se confirmou (o que faz sentido, uma vez que eu só queria mesmo descobrir uma forma de importunar mais o destinatário, sem ter que esperar a contagem até 19 [dezenove]).

Como a minha contagem até 19 (dezenove) é muito subjetiva e, portanto, pouco precisa, contei quantos segundos (medida mais confiável) constituíam o Intervalo Mínimo entre Nudges (IMN). O resultado foi que o IMN é de 11 (onze) segundos completos. (Me questiono qual seria a razão para a escolha do número 11 [onze], em vez de 10 [dez] ou 15 [quinze]; este é um problema que deve ser melhor estudado em pesquisa futura).

Isso significa que eu conto até o número 19 (dezenove) em 12 (doze) segundos. Logo, 1,583 (um vírgula quinhentos e oitenta e três) número a cada segundo. Considerando que são pronunciadas 97 (noventa e sete) letras, do algarismo 1 (um) ao número 19 (dezenove), eu as pronuncio numa velocidade de 8,083 (oito vírgula zero oitenta e três) letras por segundo. A média de letras em um número é 7,462 (sete vírgula quatrocentos e sessenta e dois, valor aproximado). Portanto, preciso diminuir minha velocidade em 0,621 (zero vírgula seiscentos e vinte e um) letra por segundo, para que eu fale aproximadamente 7,462 (sete vírgula quatrocentos e sessenta e dois) letras por segundo. Só assim vou conseguir contar até 12 (doze) em 12 (doze) segundos, aproximadamente um algarismo ou número por segundo correspondente.

Vou precisar comprar um cronômetro mais preciso que os cronômetros comuns para testar. Ou eu posso simplesmente usar aquela técnica pouco científica e senso-comum de falar "mil" antes dos números... Mas acho que não vai ser tão eficiente.

Vou procurar um cronometro.

sábado, dezembro 26, 2009

Morte

Hoje recebi a notícia do falecimento de uma amiga de infância, Verônica Kubo. Ela faleceu aos 18 anos, ontem (25/12/09, Natal), em um acidente de carro na Rod. Castelo Branco.
Fiquei chocado e triste. Pela injustiça da morte de alguém tão jovem, que, assim como eu, devia ter planos e mais planos para o futuro. Por pensar na família que ela deixou para trás. Por saber que aquela pessoa, tão de repente e simplesmente, não existe mais aqui.
Nunca esperamos a morte de ninguém, muito menos de pessoas assim jovens. Pensamos no quanto ela ainda teria para viver, nos planos que devia ter, em como seria se ela vivesse o que devia viver. Por isso parece tão injusto. Mas, ao mesmo tempo, a morte e tão imprevisível e inevitável que parece acima de julgamentos sobre sua justiça. E, na verdade, aquelas possibilidades não existem. O que acontece só acontece de um jeito. O "como seria" só pode existir na nossa mente. "Como foi" é a verdade. Ela viveu o que tinha para viver.
Mesmo assim, atormenta a evidência de que "a vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição". Que assim como os dela, todos os planos podem ser interrompidos a qualquer momento, sem possibilidade de contestação, pela chegada ao único destino da vida. É como se a morte fosse o único e verdadeiro "plano", que é o plano da própria vida.
Mas, na verdade, acredito que ela ainda existe, de alguma outra forma, em algum outro lugar. Existe algo mais em nós, além da vida. Não somos a vida. A vida está em nós. A vida estava nela. Agora ela continua, sem essa vida. E esse mistério é inquietante, graças à quase impossibilidade de nos desapegarmos da vida, não importa o que aconteça.

terça-feira, novembro 24, 2009

Campanha contra Dilma

Recebi um e-mail pedindo que não votemos em Dilma Roussef. O argumento usado era o envolvimento dela no lançamento, em 1968, de um carro-bomba contra um quartel do exército em São Paulo; o atentado causou a morte de Mário Kozel Filho.

Em primeiro lugar, parece que não é comprovado o envolvimento de Dilma. Isso não consta nem na tal ficha do DOPS - conhecido como "currículo de Dilma".

Em segundo lugar, mesmo que seja verdade, usar isso como campanha contra a Dilma é um golpe político baixo. O "grupo terrorista" que atacou o quartel não queria assassinar "o" Mário Kosel Filho; eles queriam atingir a organização que estava matando centenas de outras pessoas: o exército. Num período como aquele, as ideologias ficam mesmo exarcebadas, mas dos dois lados. A violência foi usada por ambas as partes, mas ainda mais frequente, forte e hediondamente pelo Exéricito, que matou, traumatizou e mutilou centenas de outros jovens como Kozel.

NÃO QUERO a Dilma para próxima presidente (Deus nos livre!), mas me revolta ver que chegamos ao absurdo de haver pessoas querendo até exaltar o governo da ditadura para poder rebaixar a Dilma que lutava contra essa ditadura. Ver como a política, aqui, é cada vez menos séria e mais inconseqüente.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Os Últimos Dias - Carlos Drummond de Andrade

Que a terra há de comer.
Mas não coma já

Que ainda se mova,
para o ofício e a posse.

E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.

Sinta frio, calor, cansaço;
pare um momento; continue.

Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.

O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.

Prazer de balanço, prazer de vôo.

Prazer de ouvir música;
sobre papel deixar que a mão deslize.

Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.

Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.

O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instante,
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sobra maior, de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele, outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.

O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.

Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.

E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.

O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.

A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.

Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.

E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.

E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Explicações Místicas - Mercúrio Retrógrado

Coincidências demais!
Vários amigos tiveram o celular roubado ou o perderam nos últimos dias. Eu estava usando meu celular mais do que nunca tinha usado antes. Comentei, com três pessoas, em uma semana, o quanto eu gostava daquele celular e não queria perdê-lo.
Logo depois, o perdi num táxi. Consegui recuperar no mesmo dia, porque percebi 5 minutos depois que desci do táxi. Quatro dias depois, ele foi roubado. Três dias depois, comecei a usar o antigo do meu pai e... ele começou a dar defeito.
Depois de ser roubado, achei que podia ser um misto de olho gordo com lei da atração. Afinal, eu tinha comentado com pessoas que perderam seus celulares o quanto eu gostava do meu e, ao falar isso, fiquei com medo de perder o meu também (energias negativas) e posso ter atraído mal olhado de quem já tinha perdido. A coisa mais lógica e racional do mundo, quando se pensa misticamente.
Além de tudo, descobri que Mercúrio estava retrógrado nesse período! Todas as explicações místicas fazem sentido!
Depois vão dizer que é bobagem? Humpf...

(Tudo isso era alternado com pensamentos sobre a grande probabilidade do mesmo acontecer com qualquer pessoa que: 1 - estivesse com bolso faca no táxi e mexesse nele; 2 - andando em São Paulo a pé às 23:00h; 3 - usando um celular da Sony Ericsson - 90% de chances de ter defeitos... Mas essas coisas não fazem tanto sentido!)

quarta-feira, agosto 05, 2009

Invictus - William Ernest Henley

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o capitão da minha alma.

quinta-feira, junho 18, 2009

Conflitos na USP - Samuel Godoy

Texto interessante, racional e coerente, escrito por Samuel Ralize de Godoy, no blog Cidadania Inclusiva, sobre os conflitos na USP:

Conflitos na USP - Blog Cidadania Inclusiva

sexta-feira, junho 12, 2009

O Confronto com a PM no Campus Butantã

O que aconteceu foi horrível e, como a maioria das coisas horríveis, extremamente desnecessário!

Nada justifica a quantidade de violência usada pela polícia. E, com o que aconteceu, as pessoas que defendiam, ou que, pelo menos, não tinham nada contra a presença da PM no campus, não podem mais manter essa posição.

Não podemos, no entanto, continuar com essa visão de que os estudantes são santos e a polícia é o mal encarnado. Ninguém estava certo! Houve exageros dos dois lados. O erro da polícia é muito mais grave, com certeza, mas apenas porque esta tem armas mais poderosas nas mãos (que são grandes estímulos para o exercício do poder, principalmente quando se está em um confronto, com raiva), que também teriam sido usadas pelos estudantes se fosse possível.

É fato que os estudantes provocaram. Toda a hostilidade contra a PM já existia mesmo antes dela fazer qualquer agressão a qualquer pessoa. Como já disse, nada justifica o exagero da polícia. Mas, se tentamos nos imaginar no lugar da PM, é possível pelo menos entender o que desencadeou essa reação: eles estavam lá por obrigação, cumprindo ordens, foram chamados; não estavam lá por livre e espontânea vontade, porque queriam machucar alguns estudantes. E, AINDA sem ter feito nada, eram tratados como monstros, como tiranos, assassinos, que não podiam entrar na universidade. Além disso, eram ofendidos e provocados pelos estudantes, xingados até de "cornos", sem poder reagir (justamente por causa de sua posição de policiais).

Tudo isso, com certeza, gerou muita raiva nos policiais, que só precisavam de algum motivo que permitisse colocá-la para fora. Não podemos esquecer que eles são HUMANOS. E esse motivo foi dado quando os estudantes empurraram alguns policiais.

Vou ser bem chato e repetir que não estou justificando ou defendendo os policiais! Eles deveriam ser mais bem treinados e saber lidar muito melhor com a situação, saber se controlar. Mas, tampouco, posso defender incondicionalmente os estudantes, como parece ser a tendência geral.

Agora, os estudantes têm reais motivos para não querer a PM no campus. Mas esses reais motivos foram procurados pelo próprio movimento estudantil, que já era contra a PM antes de acontecer qualquer confronto, por motivos simbólicos/ideológicos.

No fundo, o confronto é útil para o movimento estudantil, pois agora ele pode conseguir unir todos os estudantes contra a PM. Ninguém mais pode tentar defender que não se peça a retirada da PM do campus. O custo disso, no entanto, não valeu a pena...